Sífilis: como identificar, tratar e evitar o contágio

O que é a sífilis e por que ainda é um problema de saúde pública

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. Apesar de ser antiga e ter tratamento, a doença continua sendo um desafio de saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, os casos de sífilis adquirida e congênita aumentaram nos últimos anos, especialmente entre jovens e gestantes. 

A sífilis pode ser transmitida principalmente por contato sexual desprotegido, mas também de mãe para filho durante a gestação (sífilis congênita) ou, mais raramente, por transfusão de sangue contaminado. Por ter fases distintas e sintomas variados, a doença pode passar despercebida, favorecendo o contágio e o agravamento do quadro.

Como identificar os sintomas da sífilis

Os sinais da sífilis mudam conforme a fase da infecção. Por isso, entender essas etapas é essencial para reconhecer precocemente a doença e evitar complicações.

Sífilis primária: Surge de 10 a 90 dias após o contato com o vírus. O principal sintoma é uma ferida única e indolor (chamada de cancro duro), geralmente nos órgãos genitais, ânus ou boca. Mesmo sem tratamento, essa lesão desaparece em algumas semanas, o que leva muitos pacientes a acreditar que estão curados, mas o agente infeccioso continua ativo no organismo.

Sífilis secundária: Aparecem manchas avermelhadas pelo corpo, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés, além de febre, dor de garganta, aumento dos gânglios e queda de cabelo. Nessa fase, o risco de transmissão é alto.

 

Sífilis latente: A infecção entra em um período assintomático, podendo durar anos. Mesmo sem sintomas, o paciente ainda precisa de acompanhamento e tratamento.

 

Sífilis terciária: Surge quando a doença não é tratada. Pode afetar o coração, o sistema nervoso e outros órgãos vitais, causando lesões graves, demência e até risco de morte.

Por isso, realizar o teste de sífilis regularmente, especialmente para quem tem vida sexual ativa, é uma das medidas mais eficazes para prevenir complicações e interromper a cadeia de transmissão.

Diagnóstico e tratamento da sífilis

O diagnóstico da sífilis é simples e acessível. O teste rápido pode ser feito gratuitamente em unidades de saúde e fornece o resultado em até 30 minutos. Caso o resultado seja positivo, exames laboratoriais complementares são solicitados para confirmar o estágio da infecção e definir o melhor tratamento.

O tratamento da sífilis é feito com penicilina benzatina, um antibiótico altamente eficaz que elimina a bactéria do organismo. A dose e o número de aplicações variam de acordo com o estágio da doença. Além disso, é essencial que parceiros sexuais também sejam testados e tratados, mesmo que não apresentem sintomas, caso contrário, ocorre a reinfecção. Portanto, durante o tratamento, o paciente deve evitar relações sexuais até a conclusão da terapia e a confirmação da cura com exames laboratoriais.

 

Como evitar o contágio da sífilis

A prevenção da sífilis depende de atitudes simples, mas fundamentais:

  • Uso de preservativo (masculino ou feminino) em todas as relações sexuais;
  • Realização periódica de testes de ISTs, especialmente em caso de múltiplos parceiros;
  • Acompanhamento pré-natal completo, com testagem da sífilis no início da gestação e no terceiro trimestre;
  • Evitar o compartilhamento de objetos cortantes e o uso de drogas injetáveis sem segurança.

     

Sífilis tem cura: o diagnóstico precoce faz a diferença

A sífilis tem cura, e o tratamento costuma ser simples quando realizado corretamente. A escolha da terapia depende do estágio da infecção, mas na maioria dos casos é feita com antibióticos altamente eficazes contra a bactéria Treponema pallidum, responsável pela doença.

Quando o diagnóstico é feito nas fases iniciais, uma única aplicação de penicilina pode ser suficiente para eliminar o agente infeccioso.  Nos casos mais avançados, o médico pode indicar doses adicionais, aplicadas em intervalos específicos, até que a infecção seja totalmente controlada.

Após o tratamento, é fundamental realizar exames de sangue de acompanhamento, geralmente aos 3, 6, 12 e 24 meses, para confirmar que o organismo está livre da bactéria e evitar possíveis recaídas.

A prevenção continua sendo a melhor estratégia. O uso regular de preservativos em todas as relações sexuais é a forma mais eficaz de evitar a sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Para as gestantes, o teste de sífilis durante o pré-natal é indispensável. Se houver diagnóstico positivo, o tratamento deve ser iniciado imediatamente para impedir a transmissão vertical, que ocorre quando a infecção passa da mãe para o bebê durante a gestação.

Por isso, buscar orientação médica ao menor sinal de infecção é a melhor forma de garantir a saúde e proteger quem você ama. Se você apresenta sintomas suspeitos, teve contato com alguém diagnosticado ou deseja realizar seus exames de rotina para ISTs, agende sua consulta e mantenha sua saúde em dia.